quarta-feira, 24 de julho de 2019

Clarice Lispector

- Ela á tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
-É. Até mesmo ingênua.
-Então por que a prisão?
-Porque a liberdade ofende.
Clarice Lispector

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terça-feira, 23 de julho de 2019

sexta-feira, 19 de julho de 2019

...

Hoje foi tudo meio sem graça.
O relato de um dia absurdamente normal, mas ainda assim esquisito.
Hoje eu acordei sem sentimentos no peito, e as pequenas mentirinhas brancas que eu conto pra mim mesmo não se valeram pra acreditar.
E bem cedinho a vida bateu na minha porta me lembrando que não dá pra ser incrível sempre.
Hoje eu percebi que os poetas felizes também mentem,
que não dá pra estar cem por cento bem em todas as vezes,
e alguns dias são realmente insuportáveis.
Hoje foi um deles.
Parece que o sol já nasceu ardendo,
que o primeiro gole de água estava amargo.
Sabe, tem dias que a gente já abre os olhos sem vontade nenhuma de recomeço,
e arrasta o resto das horas sem se esforçar pra
melhorar.
Seguimos brigados com o mundo,
de mau com a vida,
irritados com nós mesmo.
Tem dias que a impaciência anda em alta, as horas não passam,
e o amanhã parece desparecer no horizonte.
Tem dias que até o melhor dos cafés só se encontra morno,
e tudo que nos resta é permanecer.
É ficar.
Meio vazio, meio sem ânimo e totalmente sem vontade.
Apenas resistir.
Hoje foi um desses dias que comprovei que a vida continua sendo a mesma batalha,
e nem sempre a gente ganha.
Nem sempre a gente se levanta pronto pra encarar dragões, pra esboçar um sorriso e muito menos pra tentar.
Hoje foi um dia em que precisei de descanso.
Da minha própria mente, dos meus próprios pensamentos.
Hoje eu não saudei meus medos, mas cumprimentei bem cedo a minha ansiedade.
Hoje o dia passou em branco,
e eu não quis ir pra luta.
O cansaço venceu.
E diferente do que possa parecer, pra mim está tudo certo.
Eu tento de novo amanhã.
S.

A arte de perder- Elizabeth Bishop


quinta-feira, 18 de julho de 2019

Sempre Cora Coralina



“Sou feito de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo. E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma. Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias. E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de ‘nós’ . ” 
Cora Coralina
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terça-feira, 16 de julho de 2019

Fernanda Takai - I Don't Want To Talk About It


Cassandra Rios- Mãos dadas

Tu e eu!
Sempre de mãos dadas!

Fizemos amor assim!

Sentimos o gozo percorrer nossos corpos

entre arrepios que surgiam

da palma das nossas mãos unidas,
dedos entrelaçados!
Viste, amor! Isso é a eletrostática da
alma!
Aquele arrepio que sentimos,
quando nos olhamos
e quando estremecemos de emoção
só no simples gesto de mãos dadas!
Que extraordinária força
descobrimos em nós
quando vibramos simultaneamente
a esse simples contato.
É a eletricidade da vida que explode em amor!

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Marisa Monte e Julieta Venegas


Poemeu

Quero mais uma bebida
Fugir do real
Esconder que estou perdida
Traga-me tudo
Vinho, uísque, absinto
Se eu falar que logo paro: minto
Sirva-me, vá embora, me deixe sossegada
Não quero ficar sóbria 
Nem no dia, nem na madrugada
De esperar desisti, estou cansada
Me embriago sozinha, sofro calada
Deixe-me
Sou só eu nesta louca madrugada
Madrugada fria
De lua amarelada
Por favor, vá embora
Me deixe sozinha, dê o fora
Respeite a dignigade de uma mulher que chora
Estou esperando
Meu absinto
Não se atrase, traga logo
O fim chega, pressinto
Se eu cair
Deixe meu corpo na rua estendido
Juro não choro
De mim não ouvirá nem um gemido
Não tenha medo do implacável frio do meu olhar
Somente a mim desejo mutilar
Traga-me a bebida
Minha dor, tenho que embriagar.
S.



Poemeu

Lágrimas nos olhos sem envolvimento
Rolam pela face e caem no esquecimento
E fácil chorar  pela dor do outro
Secar as lágrimas em lenço de papel
Depois jogar no vento
O lenço e os sentimentos.
S
Sonhar com choro