sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Só enquanto eu respirar vou lembrar de você...

"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete
a cena se inverte
enchendo a minha alma
d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
tua palavra, tua história tua verdade
fazendo escola e tua ausência
fazendo silêncio em todo lugar
metade de mim agora é assim
de um lado a poesia o verbo a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar
no fim o fim é belo incerto...
depende de como você vê o novo,
o credo, a fé que você deposita em você e só
...Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você"
Essa poesia linda é a letra da música O anjo mais velho, do grupo Teatro Mágico... fui assistir o espetáculo deles e me encantei, pela beleza, pela leveza, pela poesia, pela ousadia do show. Poético e crítico... apaixonado e apaixonante...
Parabéns Fabro... Jabuti em casa!!!

"Abandonar o paraíso é a única forma de não esquecê-lo". Fabricio Carpinejar
Que delícia de crônica... que adorável CA-NA-LHA... adooro!
"É um defeito, mas nada mais delicioso do que ouvir de uma mulher: "CANALHA!"Ser chamado de "canalha" por uma voz feminina é o domingo da língua portuguesa. O som reboa redondo. Os lábios da palavra são carnudos. Vontade de morder com os ouvidos. Aproximar-se da porta e apanhar a respiração do quarto pela fechadura.Canalha, definitivo como um estampido, como um tapa.Não ser chamado de canalha pela maldade, mas por mérito da malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo.Não o canalha canalha, mas o ca-na-lha, sem repetição. Único.Não o canalha que deixa a mulher; o canalha que permanece junto. O canalha adorável que ultrapassou o sinal vermelho para levá-la. O canalha que é rude, nunca por falta de educação, para acentuar a violência do amor. Canalha por opção, não devido a uma infelicidade e limitação intelectual. Canalha em nome da inteligência do corpo.O canalha. Como um elogio. Um elogio para dizer que é impossível domesticar esse homem, é impossível conter, é impossível fugir dele. Canalha como pós-graduação do "sem-vergonha".Bem diferente de crápula, que não é sensual e define o mau-caratismo indelével, ou de cafajeste, alguém que não presta nem para ser canalha, de índole egoísta e aproveitadora.Eu me arrepio ao escutar canalha. Um canalha que significa o contrário do dicionário. Nem perca tempo consultando o Aurélio e o Houaiss, que não incluem o sentimento da pronúncia. Estou falando do canalha que suscita aproximação, abraço, desejo. Um canalha que é um pedido de casamento entre as vogais.É pelas expressões que se define a segurança masculina. Sempre duvidei de homem que diz que vai fazer xixi. Xixi é coisa de criança. Eu não represo a gargalhada quando um amigo adulto e de vida feita comenta que vai fazer xixi. Imagino o cara sentado. Infantil como Ivo viu a uva. Já urinar é muito laboratorial. Prefiro mijar, direto, rápido e verdadeiro. As árvores mijam. Os relâmpagos mijam. Os cachorros mijam para demarcar seu território. Aliás, o correto é não anunciar, ir ao banheiro apenas, para evitar constrangimentos vocabulares.Canalha funciona como uma agressão íntima. Uma agressão afetuosa. Uma provocação. Não se está concluindo, é uma pergunta. Canalha é uma interrogação gostosa.Não ficarei triste se você esquecer meu nome, chame-me de canalha."
Crônica extraída do Livro Canalha, premiado com o Jabuti/2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Poemeu
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Um pouco de Elizabeth Bishop...

Publicou um livro, bem recebido, aos 35 anos. Em 1951, aos 40, após persistente experiência em infelicidade, tomou um navio cargueiro sem destino definido. Parou no Rio, conheceu Lota de Macedo Soares, também com 40 anos. Apaixonaram-se e Bishop mudou-se para o Brasil, aqui vivendo 15 anos no seu primeiro lar, ao lado da companheira. "Morri e fui para o céu sem merecer", protestava ela. Em 1967, Bishop não agüentava mais o Brasil, sujeito a turbulências políticas (estava aqui quando Getúlio se suicidou, Juscelino quase foi impedido de tomar posse, Jânio renunciou, Jango governou sob parlamentarismo e presidencialismo, os militares deram um golpe). Chocava-a a desmedida convivência entre pobreza e corrupção. A relação com Lota se esfacelara. Bishop retornou aos Estados Unidos. Lota foi em sua busca e suicidou-se na noite da chegada.
Bishop faleceu inesperadamente em 1979, aos 68 anos, de aneurisma. Deixou publicados poucos menos de cem poemas, que mereceram o Pulitzer, o National Book Award e o Newstadt International Prize. Passou a ser a mais estudada entre os poetas norte-americanos. Seus dois livros - Poesia completa e Prosa completa - ocupam alguns centímetros, enquanto a bibliografia sobre eles toma prateleiras.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
Carta a D.


Em tempos em que o amor é tão banalizado e que paixões verdadeiras somente são vivenciadas na literatura, me emocionei com o relato apaixonado e apaixonante que André Gorz faz dos sessenta anos que dividiu com a companheira Dorine. O texto é lindo, envolvente e inegavelmente uma declaração de amor, que inclusive me fez compreender o suicidio de ambos como um ato genuíno de amor, já que para eles, a vida que não pudesse ser compartilhada entre ambos, não era vida.
sábado, 5 de setembro de 2009
Poemeu.
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